Conta-se o causo de um homem que vivia numa vila distante do mundo. O homem era contador de histórias, mas só contava histórias acerca dele mesmo. Era “bão” nisso! O povo da vila, cansado de saber todos os seus causos, proezas e feitos, resolveu ignorá-lo. Pra sorte daquela gente, o dito-cujo saiu da vila vila e ganhou o mundo… Não demorou muito e lá se foi o contador de histórias. Ia de cidade em cidade, e a cada parada contava suas histórias, quem era, o que fez e tudo mais que podia fazer! Como era “bão” esse contador de histórias… Mas o povo começou a perceber que a medida que ele contava as histórias dele, as dos outros eram motivo de crítica desse grande contador. E essas críticas aumentavam em cada lugar que ele passava. O que eram boas eram suas histórias, as dos outros sempre eram motivos de sua críticas. Então começou a ser conhecido como o Apagador de Histórias; mas ele apagava as histórias dos outros e não as dele. Se valia das coisas que fez, mas desconsiderava o que os outros tinham feito! O Apagador de Histórias crítica a história dos outros para que as suas sejam apreciadas pelos seus ouvintes. Pobre Apagador de Histórias, mal sabe ele que suas histórias serão levadas pelo tempo e pelo esquecimento. Mesmo achando que a história dos outros não tem nenhum valor, esquece que as deles são escritas juntamente com elas…
