Pobre Tomé

Essa semana fiquei maravilhado com uma simples descoberta que fiz ao ouvir uma pregação na IPCG, feita pelo querido amigo Alain Paul; francês, inteligente, bom de prosa. Pois bem, minha descoberta não foi sobre o pregador, mas uma observação feita por ele no texto que usou como fundamente a sua pregação – Mc. 16.14-18. Mas, minha descoberta está no verso 14: “Finalmente, aparaceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e durezade coração, porque não deram crédito aos que tinham visto já ressuscitado”. Daí veio minha descoberta: não só Tomé duvidou da ressurreição de Jesus, mas os onze (já que Judas O havia traído). Estavam todos lá, quietinhos, boca miúda, sem expressarem o que estavam achando de verdade, ou seja, que Seu mestre não havia levantado dentre os mortos. Pobre Tomé, por que abriu sua boca? Por que não ficou na sua, como fizeram os outros? Pobre Tomé, ficou marcado como aquele que duvidou! Tornou-se até dito popular: “Só acredito vendo”! Mas quão reveladora é a Palavra de Deus quando mostra que Jesus “censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração”. Conheço muita gente que age como os discípulos, à exceção de Tomé. Gente caladinha, na miúda, com carinha de anjo, que aparentemente aceitam tudo numa boa. Sempre agem de boa-fé e com as melhores intenções! Gente que reluta em falar o que pensa em público. Aquele colega de trabalho que ouve sua crítica sobre a empresa, mas que naquela reunião fica calado. Ainda tem o pior, que usa sua opinião pra se safar! É aquele irmãozinho, que vem na sua casa, reclama que tudo na igreja. Quando nos reunimos para resolver os problemas, ele diz que gosta da igreja e que tá tudo bem!

No meu caso, na maioria das vezes, sou Tomé, falo! Mas tenho aprendido que isso custa caro… Infelizmente, a atitude de Tomé não foi das melhores, mas a dos discípulos não passou de largo pelo Senhor.

Que Deus nos ajude a conter-nos os lábios, mas que nos sonde e nos censure quando achar no coração aquilo que não encontra nas palavras.

A Deus toda Glória

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